Publicidade
Publicidade
É um quadro desolador e de enorme contraste. Quinze anos depois, o quotidiano de Renato Seabra na Clinton Correctional Facility é a definição de uma rotina de sobrevivência, marcada pela rigidez de uma das prisões mais duras dos EUA.
O seu dia a dia resume-se a:
- Isolamento e Confinamento: Passa 23 horas por dia na cela, com direito a apenas uma hora de recreio, o que acentua o desgaste psicológico já visível nos surtos relatados.
- Refúgio na Fé: Aos domingos, o seu papel como ajudante de missa não é apenas uma tarefa, mas o seu principal pilar emocional e “missão”, como o próprio descreve.
Na estrutura da prisão, Renato ocupa uma posição de confiança junto da capelania católica. Ele não é apenas um assistente; atua como sacristão e acólito, o que implica responsabilidades específicas:
- Preparação do Altar: É ele quem organiza os paramentos, o cálice e os elementos para a Eucaristia, garantindo que tudo está pronto para a chegada do padre.
- Assistência Direta: Durante as missas dominicais, Renato acompanha o sacerdote no altar, uma função que lhe confere um estatuto de “preso de confiança”, permitindo-lhe interagir com a comunidade religiosa da prisão de uma forma menos vigiada e mais humana.
- Zelo pelo Espaço: A manutenção da capela é vista por ele como uma “missão” pessoal, sendo o único local dentro da prisão de alta segurança onde afirma sentir-se verdadeiramente em paz e afastado da violência dos restantes blocos.
A Fé como Mecanismo de Defesa
A fé de Renato, descrita em cartas e relatos de familiares, funciona como um escudo contra o desespero do isolamento (23 horas por dia na cela):
- O “Milagre” da Liberdade: Como escreveu na sua carta de 2013, Renato deposita na oração a esperança de um “milagre” que reduza a sua sentença. Para ele, a justiça divina sobrepõe-se à justiça dos homens, acreditando que a sua devoção pode influenciar o desfecho do seu caso em 2036.
- Redenção e Culpa: A participação ativa na missa é também uma forma pública de mostrar arrependimento e de construir uma narrativa de “homem novo”. Perante as autoridades prisionais, este comportamento exemplar é fundamental para construir um perfil favorável com vista à futura avaliação da liberdade condicional.
- Estabilidade Psicológica: Num ambiente onde já sofreu vários surtos psicóticos e tentativas de suicídio, a rotina religiosa oferece-lhe a estrutura mental necessária para não ceder totalmente à depressão. A oração diária na cela é o seu principal refúgio quando as visitas da família escasseiam.
Este envolvimento espiritual é, talvez, o único ponto em comum que mantém com a família em Portugal, especialmente com a mãe, unindo-os através da crença partilhada de que a resistência através da fé será recompensada.
O apoio familiar é o único elo que mantém Renato Seabra ligado ao mundo exterior, num esforço repartido entre a resiliência da mãe, Odília Pereirinha, e a ascensão pública da irmã, Joana Seabra.
Eis o desenvolvimento sobre o papel de cada uma:
Joana Seabra: O Pilar Institucional e Político
A irmã de Renato tem sido a figura mais estável na gestão logística e emocional do caso. Recentemente, a sua vida tomou um rumo de grande exposição em Portugal:
- Ascensão Política: Médica de profissão, Joana é atualmente Deputada na Assembleia da República pela coligação Aliança Democrática (AD) e preside à concelhia do PSD em Cantanhede. Esta posição de poder contrasta fortemente com a realidade marginal do irmão em Nova Iorque.
- Gestão de Crise: Apesar da sua carreira política e médica, nunca renegou o irmão. É ela quem ajuda a coordenar os aspetos práticos das visitas e o apoio jurídico, mantendo uma ligação estreita e regular com Renato, servindo de ponte entre as necessidades dele na prisão e a família em Portugal.
- Dualidade de Papéis: Joana equilibra o trabalho legislativo nas comissões de Saúde e Cultura com a assistência à mãe, sendo descrita como o “porto de abrigo” que permite a Odília continuar a lutar pela liberdade do filho.
Odília Pereirinha: A Luta pela Presença
A mãe de Renato personifica o sacrifício pessoal ao longo destes 15 anos:
- O Regresso Forçado: Logo após o crime, Odília mudou-se para Nova Iorque para estar perto do filho. No entanto, o elevado custo de vida na metrópole americana tornou a permanência insustentável, forçando-a a regressar a Cantanhede.
- A Rotina das Visitas: Atualmente, a sua vida é organizada em ciclos de três meses. É este o intervalo com que viaja para os EUA para visitar Renato na Clinton Correctional Facility. Estas viagens são descritas como emocionalmente desgastantes, dada a dureza do ambiente prisional e o estado debilitado de Renato.
- A Fé no “Milagre”: Tal como Renato expressou na sua carta, Odília partilha da convicção de que apenas a fé e o bom comportamento podem levar a uma redução da pena ou a uma extradição, algo que, juridicamente, tem sido sucessivamente negado pelas autoridades americanas.
A Esperança de 2036
Ambas alimentam a meta de 2036 como o ano do reencontro definitivo. Para a família, o sucesso de Joana na política e na medicina é visto como uma forma de honrar o nome da família, enquanto Renato tenta “redimir-se” através do trabalho na alfaiataria da prisão e da assistência religiosa.
Luis Maciel
Texto: Redação Jet7
Fotos: Google
Texto: Redação Jet7
Fotos: Google
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade
